Como prometido, segue meu relato sobre minha ida a San Diego Comic Con 2011.
Já no aeroporto em Dallas, onde faria escala para San Diego, tive o prazer de encontrar o ator Wagner Moura na saída da imigração. Como saímos juntos e havia um longo corredor até a esteira das malas, não resisti e o cumprimentei.
O grande Capitão Nascimento se mostrou uma pessoa muito bacana e ao ser indagado se estava indo à Comic Com, já que ele está escalado no novo filme do diretor de Distrito 9, disse que estava indo para Vancouver (onde o filme está sendo produzido). Foi um encontro rápido e inesperado. Bacana.
Cheguei a San Diego dois dias e meio antes do evento, o que me permitiu passear um pouco e conhecer a cidade por conta própria. Não é o caso de entrar em detalhes aqui, mas posso dizer que a cidade é mesmo muito bonita, com muitas comic shops (fui em cinco) e um zoológico realmente fantástico.
Também aproveitei e fui bastante ao cinema conferindo filmes que ainda não tinham estreado no Brasil. Assisti Lanterna Verde, Super 8 e Capitão América (comentários sobre os filmes virão em futuros ArtsiderCasts..).
Um fato um tanto peculiar na noite anterior ao primeiro dia de evento merece registro. No caminho de uma de minhas idas noturnas ao cinema passei em um MacDonalds comer um quarteirão (o clássico). O que veio a seguir eu juro que é verdade. Na hora em que saía pela porta uma senhora por volta de sessenta anos, que vinha logo atrás, resmungou para mim "Esse nosso país não tem jeito". Eu perguntei por que. Ela disse "Vamos todos para o inferno". Sem saber o que responder, apenas disse "Pois é.. Boa noite." Bizarro.
Comic Con - Dia 1
Chegar ao Centro de Convenções assusta um pouco. Lugar gigantesco e uma multidão na rua. A vista é belíssima, com o mar da baía de um lado e os prédios do centro do outro. Nos prédios, ocupando fachadas inteiras, estão imagens gigantes do Batman, Homem-Aranha, posters de filmes e de games. Algo único mesmo. O movimento também era intenso, com muito engarrafamento. Mas tudo muito bem sinalizado e organizado.
Centro de Convenções de San Diego
Como era o primeiro dia, tinha que pegar os badges (um tipo de crachazão que te permite entrar e sair da Comic Con). A fila era simplesmente gigantesca contornando todo o prédio e chegando até a Marina que fica na parte de trás. Achei que ficaria horas ali, mas na verdade foram uns 40 minutos de fila.
Quando entrei pela primeira vez no edifício a sensação é de estarmos totalmente perdidos. É muita gente mesmo. Dezenas de milhares de pessoas. Peguei meus badges e uma bolsa enorme que todos ganham pra guardar as compras. É interessante, mas foi um verdadeiro trambolho que me incomodou durante todo o dia. Os dias seguintes foram só com a mochila mesmo.
Usei a primeira hora para caminhar e tentar entender o lugar. No primeiro piso ficam os estandes de editoras, fábricas de brinquedos, lojas, empresas de videogame e mesas com artistas. Uma espécie de Rua 25 de Março ou Uruguaiana Nerd. É tão grande, com tanta coisa, que não dá pra ver tudo de uma vez. Fazendo um cálculo aproximado, uma caminhada em zigue e zague olhando rapidamente todas as mesas, estandes e lojas demoraria pelo menos umas quatro horas. E estou sendo otimista.
No início da caminhada pelo pavilhão acabei batendo um papo bacana com Dan Pearsons, arte-finalista dos quadrinhos do Star Wars. Dei uma Tweenz! para ele e ele me deu uma revista do Star Wars. Gente boa.
No segundo andar ficam as mais de 30 salas com as palestras, debates, etc.. São de todos os tamanhos. De 50 até mais de 6000 lugares!
O primeiro painel que conferi foi num hotel colado ao Centro de Convenções que também faz parte do evento. Nele estavam as lendas Stan Lee e Todd McFarlane. A conversa era sobre um quadrinho deles com um rockstar japonês chamado Yoshiko, que estava lá, inclusive. Dizem que é super famoso, mas não conhecia. O painel foi bacana e confirmou o carisma e a simpatia do Stan Lee.
Todd McFarlane Stan Lee
Depois disso minha ideia era assistir o debate com o elenco da serie Game of Thrones. Mas a fila de mais de 3 horas (segundo o cara que organizava) me desanimou. Acabei indo em uma palestra do grande Roy Thomas, editor da marvel nos anos setenta e o responsável por trazer o Conan aos quadrinhos, tendo escrito mais de 700 historias do personagem! Outra lenda muito simpática.
Roy Thomas
Após Roy Thomas ocorreu o painel sobre o mercado de Blu-ray nos Estados Unidos citado no post anterior do blog. Mais uma vez, o texto pode ser lido aqui.
A seguir foi a vez do painel de Gears of War 3, um dos maiores lançamentos do ano nos videogames. O pessoal estava muito animado e mesmo sendo fã da franquia não achei nada demais. Nenhuma informação relevante ou imagem fora do comum. Apesar disso tenho certeza de que será um grande jogo.
Para terminar o dia fui no painel do Garth Ennis, que na minha opinião é um dos melhores roteiristas de quadrinhos de todos os tempos, com um espaço exclusivo na minha prateleira reservado a suas obras. Uma honraria para poucos. O motivo do painel era o curta-metragem Stitched que teve sua primeira exibição pública ali mesmo. É um pequeno filme de terror no Afeganistão que dará origem a uma série em quadrinhos e, quem sabe, um longa-metragem. Gostei bastante.
Garth Ennis
Comic Con - Dia 2
O dia começou mais tranqüilo, afinal eu já sabia o que esperar. Cheguei no centro de Convenções por volta das 10:30 já pensando em tentar assistir ao disputado painel do Tintim que começava às 11. Para minha surpresa o tempo na fila foi curto e pude finalmente conhecer o famoso Hall H, com capacidade para 6.500 pessoas. É mesmo muito grande e estava quase lotado. Lotado porque contaria com a presença de ninguém menos do que Steven Spielberg, em sua primeira aparição na história da Comic Con.
A apresentação começou com um clipe super bacana mostrando todos os filmes do Spielberg. Quando ele entrou no palco foi uma onda grande de aplausos e gritos. E para a surpresa de todos Peter Jackson em pessoa subiu ao palco e a plateia veio abaixo. Todos acharam que ele não viria devido às filmagens do Hobbit na Nova Zelândia. O papo foi muito divertido, além de terem mostrado um clipe de 5 minutos do filme em 3D. Muito bacana. Um momento histórico realmente.
Steven Spielberg e Peter Jackson
Depois fui conferir uma apresentação (já em uma sala bem pequenina) do criador do Bone, o grande Jeff Smith. Sempre gostei muito do trabalho dele e mais tarde aproveitei para comprar comprei dentro do evento um monte de álbuns do Bone e um belíssimo artbook que estava em promoção por um preço ridículo. No final da apresentação troquei uma palavrinha com ele e dei uma Tweenz! Ele obviamente elogiou muito os desenhos do ZéCarlos (que moral meu guri!).
Jeff Smith
Logo em seguida, na mesma sala, fiquei pra ver um pequeno debate com o desenhista brasileiro Ed Benes. O problema foi que ele é muito tímido e não fala nada de inglês. A tradutora falava bem, mas não sabia nada de quadrinhos e não tinha nenhum senso de humor. Não consegui parar de pensar nem um segundo que eu faria muito melhor se estivesse no lugar dela...
Depois de um rápido almoço (sanduíche, claro) voltei ao Centro de Convenções e já passava das 3 horas. Decidi que não veria mais nenhum painel e ficaria apenas andando pelo gigantesco primeiro andar, a Uruguaina Nerd. Fiquei lá ate as 7 e tenho certeza que não vi tudo! Mas posso dizer que é um lugar fantástico mesmo, apesar da lotação.
De lá parti para o House of Blues que fica relativamente perto da Comicon. Nesse lugar ocorreriam os podcasts ao vivo com o Kevin Smith. Eram dois shows, o Hollywood Babble-On (com Ralph Garman) e o Jay and Silent Bob Get Old (com Jason Mewes). Depois de mais uma longa fila de espera descobri que o meu ticket não me permitiria sentar, o que não era nada agradável. Mas depois de pegar um sanduíche acabei achando uma cadeirinha no canto (o famoso jeitinho brasileiro). Apesar da uma hora e meia de atraso o show foi ótimo, e finalmente pude ter um registro visual mais apurado de um áudio que escuto rotineiramente a 4 anos e meio.

Hollywood Bable-On
Comic Con - Dia 3
Demorei pra sair do hotel e cheguei no Centro de Convenções por volta das 11 horas. Meu hotel era distante, estacionava longe e ainda tinha que caminhar um pouco.
Como o primeiro painel que me interessava era só as 2 horas comecei a passear pelo primeiro piso. Realmente sábado estava mais cheio que os outros dias, mas nenhuma diferença tão gritante assim.
A primeira coisa que fiz foi assistir uma exibição de Star Wars em Blu-ray (que será lançado em setembro). Foi algo extremamente nerd. Depois de uma pequena fila, você entra em um pequeno ambiente em que um cara simula que estamos dentro do mundo de Star Wars. Todos ficam de frente para uma TV grandona que fica exibindo trechos das batalhas do primeiro filme em alta definição enquanto o cara fica "conversando" com os atores do filme. Por exemplo, ele dizia: "Tudo bem Luke?" e o personagem na tela respondia "tudo bem"... legal. Só para deixar registrado, as imagens do primeiro Star Wars em HD estão sensacionais.
Ainda no primeiro piso comprei umas camisetas de zumbi e levei minha edição de Bone pro Jeff Smith autografar. Em seguida parti para o salão do hotel ao lado (para 1800 pessoas) para um debate de quadrinhos com a presença ilustre de Frank Miller, o mestre supremo. Apesar de reconhecer que seu melhor momento nos quadrinhos está no passado, discordo completamente da opinião geral de que nada mais do que ele produz presta. Sou um grande fã de Sin City. Apesar disso, fiquei surpreso de perceber o quanto ele está mesmo velho na aparência (tem apenas 54 anos). Mas ainda esta na ativa com uma nova graphic novel para lançar nesse segundo semestre, que me pareceu bem promissora. Foi interessante.

Frank Miller
Depois desse painel, no mesmo salão, aconteceria o painel com Joss Whedom, criador da Buffy, Angel, roteirista de uma excelente fase dos X-Men nos quadrinhos e diretor do futuro filme dos Vingadores. Era um painel muito concorrido e como já estava sentado resolvi ficar pra conhecer o cara que dirigira o filme de super-herois mais importante dos últimos tempos, apesar de conhecer nada de Buffy e cia. Foi bacana porque o Joss Whedom se mostrou um cara muito simpático e engraçado. Não é a toa que tem tantos fãs. Porém, praticamente todas as perguntas (bem cretinas, aliás) da plateia eram sobre esse universo da Buffy (a série da TV acabou, mas continua nos quadrinhos) e eu fiquei boiando completamente.
Joss Whedon
Já eram 4 da tarde quando fui comer alguma coisa. Quando voltei fui direto para o gigante Hall H pegar meu lugar para a minha segunda dose de Kevin Smith no seu tradicional e famoso Q&A (perguntas e respostas). Para minha surpresa não tinha fila e consegui um excelente lugar. Antes do KS teve um painel apresentando um novo desenho longa-metragem chamado Dorothy of Oz. O desenho me pareceu bem medíocre, mas a mesa com produtores e dubladores contava com a presença de Sir Patrick Stewart, o eterno professor Xavier dos filmes dos X-Men e Capitão Jean-Luc Picard. Bacana.
Já com o salão cheio, a apresentação do Kevin Smith foi ótima e muito engraçada. Para mim, melhor ainda do que os podcasts ao vivo da noite anterior. A diferença é que nesses Q&As o papo é mais solto sem roteiro ou estrutura fixa. De brinde ainda teve quase 10 minutos do seu novo filme Red State que está incrível e vai calar a boca de muita gente. Pode apostar.
Kevin Smith
Comic Con - Dia 4
O último dia de convenção foi também o mais tranquilo. Era um dia sem grandes paineis e que terminaria mais cedo, às 5 horas.
Como era meu último dia de viagem, usei a manhã para comprar alguns Blu-rays que queria na Best Buy. Como é bom ver Blu-rays em balaios por $7,99..
Cheguei no Centro de Convenções um pouco antes da 1 hora e segui meu plano de não ver nenhum painel e vasculhar o pavilhão para as últimas compras. Mais algumas action figures, quadrinhos e camisetas. Além de um papinho rápido com Jason Voorhees. Coisa básica.
LuG vs. Jason
Encerrei minha ida a Comic Con no meu local preferido de todo o evento, o estande que vendia artes originais. Todos os dias eu passava lá e ficava um tempo. Eram milhares de artes originais que ficam acondicionadas em plásticos transparentes que podem ser vistas e manuseadas a vontade. No final fiquei lá por mais de uma hora, até o momento em que os auto-falantes anunciaram o fim do evento. Engraçado perceber que apesar de toda a tecnologia, grandiosidade e modernidade da Convenção mostrando os melhores filmes, games, e séries de televisão, foi esse canto, que nunca estava lotado, que terminou sendo o meu favorito de todos. Poder segurar com as próprias mãos e ver bem de pertinho as artes originais de alguns dos maiores mestres de quadrinhos da historia é indescritível. Estavam lá, entre uma infinidade de outros, os originas de artistas como Marc Silvestri, Jim Lee, Todd MacFarlane, Neal Adams, John Buscema, Dale Keown, os Romitas (pai e filho), Barry Windsor-Smith e até mesmo algumas páginas do rei Jack Kirby. Isso mesmo, eu segurei uma págiana original de Jack Kirby. Infelizmente os preços eram altos (muito justo) e impraticáveis para mim. Quem sabe um dia...
E no meio das artes originais ainda tinha um óleo original de Carl Barks que estava indo a leilão com o lance inicial de 40.000 dólares. Vale cada centavo.
pintura original de Carl Barks
Assim me despedi da Comic Con. Essa foi a minha Comic Con. Se você pesquisar na internet verá relatos completamente diferente do meu. O evento é tão mosntruoso, com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, que é impossível conferir um décimo de tudo. Por isso deixei de ver e conhecer muita coisa. Faz parte do negócio. A nota que dou para o evento é 10 com certeza. É impressionante a capacidade dos caras de organizar e manter a ordem de algo tão complexo, gigantesco e com potencial para dar um milhão de problemas. Tem que tirar o chapéu para os caras. Impressionante.